segunda-feira, 16 de março de 2009

Inspiração? Quem sabe...

Estava eu visitando o blog da Carol (sem ciúmes pessoa...) quando de repente me senti invadida por tal provocação... Ou seria inspiração?
Lindo poema de Drummond, inesquecível frase de Manuel de Barros e curioso depoimento sobre Jorge Amado.
O fato é que na escrita da Carol li pedaços da minha própria história.
Eu também morei em Londres. Passei um ano da minha vida sob o céu cinza daquela intrigante cidade.
Não levei livros. Comprei alguns que eram escritos na língua local, que por sinal eu tentava aprender com a mesma persistência necessária para quem aprende a falar pela primeira vez.
Meu repertório, apesar de restrito, foi suficiente para estabelecer como critério irrevogável os temas que me interessavam. “Gostar do assunto e entender um pouco dele já vai dar uma ajuda”, pensei ainda em português.
Levei-os para casa. Não que me aquecessem, mas me ajudavam aplacar um pouco a solidão.
Para me aquecer eu pedia, sempre com urgente necessidade, que minha mãe mandasse pacotes de feijão. O bom e verdadeiro feijão brasileiro que eu cozinhava com o mesmo prazer que me invade quando “como” um bom livro com os olhos.
A solidão não era pouca e daqueles que comprei li todos. Hoje escrevo e leio inglês muito melhor do que falo.
Seria assim a inspiração? Uma espécie de encontro da provocação com a identificação? Algo de fora que encontra uma acomodação justa com algo de dentro?
Quem sabe...

2 comentários:

Márcia disse...

Eu também me senti provocada... achei ótima a relação!
Beijos, Márcia.

Renata disse...

Oi Thais,primeiro gostaria de dizer que achei que você escreve muito bem de um modo bem poético. Morei também no exterior, no meu caso, o país foi os Estados Unidos na cidade de Glaveston no Texas. Foi uma experiência importante, mas muito dificil também, não só pela solidão que senti, mas principalmente por ela. Um das razões pela qual gostei do seu relato, foi por causa do feijão, que quando encontrei para comprar no supermercado cozinhei também com muito carinho, com o objetivo de me aquecer. Até mais, Renata.